sexta-feira, 11 de junho de 2010

Introdução ao Estudo da Patologia

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA PATOLOGIA

A Patologia é, literalmente, o estudo (logos) do sofrimento (pathos). É uma disciplina abrangente que envolve a ciência básica e a prática clínica e dedica-se ao estudo das alterações estruturais e funcionais nas células, tecidos e órgãos que dão origem às doenças.

Tradicionalmente, o estudo da patologia divide-se em patologia geral e patologia especial ou sistêmica. A primeira aborda as reações básicas das células e tecidos a estímulos anormais que geram todas as doenças. A última examina as respostas específicas de órgãos e tecidos especializados a estímulos mais ou menos definidos.

Os quatro aspectos básicos de um processo mórbido que formam o cerne da patologia são sua causa (etiologia), os mecanismos do seu desenvolvimento (patogenia), as alterações estruturais induzidas ans células e órgãos do corpo (alterações morfológicas) e as conseqüências funcionais das alterações morfológicas (importância clínica).

DEFINIÇÕES

A célula normal é confinada dentro de uma faixa razoavelmente estreita de função e estrutura por seus programas genéticos de metabolismo, diferenciação e especialização; por limitações das células vizinhas; e pela disponibilidade de substratos metabólicos. Entretanto, é capaz de dar conta das demandas fisiológicas normais, chamada homeostase normal. Estresses fisiológicos um pouco mais excessivos ou alguns estímulos patológicos podem acarretar uma série de adaptações celulares fisiológicas e morfológicas, durante as quais estados constantes novos, porém alterados, são alcançados, preservando a viabilidade da célula e modulando sua função como uma resposta a esses estímulos.

Se os limites da resposta adaptativa a um estímulo forem ultrapassados, ou, em certos casos, quando a adaptação é impossível, sobrevém uma seqüência de eventos, chamada genericamente de lesão celular. A lesão celular é reversível até um certo ponto, mas, se o estímulo persistir ou for intenso o suficiente desde o início, a célula atinge o "ponto sem retorno", e sofre lesão celular irreversível e morte celular.

A morte celular, o resultado final da lesão celular, é um dos eventos mais cruciais em patologia, afetando todos os tipos celulares e representando a maior conseqüência de isquemia (ausência de fluxo sangüíneo), infecção, toxinas e reações imunes. Ademais, é fundamental durante a embriogênse normal, desenvolvimento do tecido linfóide e involução induzida hormonalmente, e é o objetivo da radioterapia e quimioterapia do câncer.

CAUSAS DA LESÃO CELULAR

As causas da lesão celular reversível e morte celular variam desde a violência externa grosseira de um acidente automobilístico a causas endógenas internas, como a carência genética sutil de uma enzima vital que compromete a função metabólica normal. A maioria das influências diversas pode ser agrupada nas seguintes categorias gerais:

-Privação de Oxigênio: a hipóxia, uma causa extremamente importante e comum de lesão e morte celulares, prejudica a respiração oxidativa aeróbica. Deve ser distinguida da isquemia, que é uma perda do suprimento sangüíneo por redução do fluxo arterial ou da drenagem venosa de um tecido. Ao contrário da hipóxia, durante a qual a produção glicolítica de energia continua, a isquemia compromete a oferta de substratos metabólicos (fornecidos pelo sangue corrente), incluindo a glicose. Por essa razão, a isquemia tende a lesar os tecidos mais rapidamente que a hipóxia. Uma causa de hopóxia é oxigenação inadequada do sangue em virtude de insuficiência cardiorrespiratória. A perda da capacidade do transporte de oxigênio pelo sangue, como na anemia ou intoxicação por monóxido de carbono, é uma causa menos freqüente de privação de oxigênio que resulta em lesão celular significativa. De acordo com o estado hipóxico, as células podem se adaptar, sofrer lesão ou morrer.

-Agentes Físicos: Os agentes físicos incluem traumatismos mecânicos, extremos de temperaturas (queimaduras e frio profundo), alterações bruscas de pressão atmosférica, radiação e choque elétrico.

-Agentes Químicos e Drogas: a lista de substâncias químicas que podem produzir lesão celular desafia uma compilação. Substâncias simples, como a glicose ou sal em soluções hipertônicas, podem danificar a célula diretamente ou por perturbação da homeostase eletrolítica das células. Até mesmo o oxigênio, em altas concentrações, é intensamente tóxico. Quantidades residuais de agentes conhecidos como venenos, a exemplo do arsênico, cianeto e sais de mercúrio, podem destruir células dentro de minutos a horas em números suficientes para causar morte. Outras substâncias, porém, são nossos acompanhantes diários: poluentes no ambiente e no ar, inseticidas e herbicidas; riscos industriais e ocupacionais, como o monóxido de carbono e asbesto; estímulos sociais como o álcool e narcóticos; e a variedade sempre crescente de drogas terapêuticas.

-Agentes Infecciosos: abrangem desde os vírus submicroscópicos às tênias grandes. Entre os dois extremos estão as riquéstias, bactérias, fungos e formas superiores de parasitas.

-Reações Imunológicas: embora o sistema imune atue na defesa contra agentes biológicos, as reações imunes podem causar lesão celular. A reação anafilática a uma proteína estranha ou uma droga é um bom exemplo, e acredita-se que as reações a auto-antígenos endógenos sejam responsáveis por uma série de doenças auto-imunes.

-Anormalidades Genéticas: os defeitos genéticos como causa de lesão celular despertam grande interesse nos biólogos atuais. A lesão genética pode resultar em um defeito grosseiro como as malformações congênitas associadas à síndrome de Down, ou sutil como as substituições de um único aminoácido da hemoglobina S na anemia falciforme.

-Desequilíbrios Nutricionais: Até mesmo no presente, os desequilíbrios nutricionais continuam a ser causas importantes de lesão celular. As deficiências protéico-calóricas geram um número estarrecedor de mortes, sobretudo entre as populações desfavorecidas. os problemas nutricionais podem ser auto-inflingidos, como na anorexia nervosa ou na inanição auto-induzida. Ironicamente, excessos nutricionais também se tornaram causas importantes de lesão celular. O excesso de lipídios predispõe à aterosclerose, e a obesidade é uma manifestação extraordinária da sobrecarga de gordura em algumas células corporais.

Fonte: Robbins & Cotran - Patologia Estrutural e Funcional, 6a Ed.

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